quarta-feira, 3 de junho de 2009

TORCIDA APAIXONADA (E APAIXONANTE)

"É impossível falar em Atlético sem falar em sua torcida. A torcida do Atlético é um espetáculo à parte. Desloca uma energia para o campo capaz de transformar peladeiros de domingo em craques. Exagero? Não. Só quem está em campo sente na pele e no coração a força do grito que vem da arquibancada. Ele é ensurdecedor. O adversário treme. Quando a torcida Atleticana age como um exército de abnegados amantes do clube, seu grito é irresistível. É um grito só, formado por milhares de vozes: “Galo, Galo, Galo”.
Torcida ajuda a ganhar jogo? Claro que sim. Já vi a torcida do Galo dar shows no Mineirão. O Show é único: tem hino, tem festa, tem bandeira, tem cerveja, tem alegria, tem tropeiro, tem multidão. A torcida do Galo dá arrepios, faz a gente chorar de emoção, obriga os jogadores a se desdobrarem em campo em busca da vitória. Que beleza ver o time jogar e a torcida empurrar os jogadores com seu canto de guerra e amor.
O Atleticano exala uma paixão que nenhuma outra torcida do país consegue. Pode, no mínimo, ser igual. Nunca superior. Sem dúvida alguma uma das mais empolgantes do mundo. Ela prova a cada dia que vale sonhar, mesmo que seja o impossível... Imaginar uma história em preto e branco.
Dizem que quem nasce Atlético, morre Atlético. É uma questão de sensibilidade, de querer ser feliz. Há mulheres que queriam ser amadas por um homem como o Atlético é amado pelo seu povo. O amor pelo Atlético é um amor que se basta. Dói como todo amor, mas basta. O caso de amor não é único. A obsessão alvinegra não tem limites: resiste a tudo e a todos; revela-se com a mesma força nos triunfos e nas derrotas; sobrepõe-se aos vexames e às decepções; extrapola as fronteiras do racional para sublimar-se no ideal da paixão.
Assim se constroem a tradição e o prestígio dos grandes clubes, e não através de triunfos passageiros e enganoso domínio. Nosso maior título é o Galo existir. Na verdade, o torcedor sente e sofre com a fase ruim, mas continua fiel ao clube do coração. Mesmo nas vitórias mais simples, o Atleticano derrama lágrimas, exibe o manto sagrado, enrola-se na bandeira e ressalta todo seu amor ao clube. Uma torcida que tem a vitória como ideal (Vencer, vencer, vencer...). Que aprendeu cedo: Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer!
“Atleticanismo” não se explica, se sente. É difícil avaliar toda dimensão do sentimento Atleticano. É um estado de espírito que o faz entregar-se de bolso e alma ao clube. Ultrapassa os limites da religião. Somos uma nação dentro de uma nação maior chamada Brasil. Uma nação que pulsa, que grita, que ama.
Quando nasceu, o Atlético logo se identificou com o povo. Um clube à caça de gente humilde, sem preconceitos ou ideologia, indiferente à sociedade, status ou política. Hoje, esta paixão tem 100 anos.
E não interessa se o adversário tem mais craques ou melhor campanha. Isso, na verdade, é até melhor: o Galo cresce e iguala tudo... Na raça. Estrelas ficam no Céu e aqui embaixo é preciso ter guerreiros. O Atlético sempre foi assim: quando lhe falta um grande time, eis que desponta no campo o grande clube que é. Tão grande quanto a infinita paixão que o inspira e o engrandece.
Mas um trunfo nenhum time do mundo possui. Sua torcida, de tanto sofrer, ser humilhada e massacrada, viu um fio de esperança e o agarrou como se fosse sua salvação. É tão fantástica que os homens terão de mudar os livros de História. Quem disse que o mundo tem só sete maravilhas, nunca viu a torcida do Atlético cantando o hino do clube. É para matar qualquer um de emoção. "

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