quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Vendo uma reportagem hoje na TV, divaguei sobre o significado de um clube de futebol na vida de um individuo. Não me assustei com o teor de violência urbana da reportagem (por mais estranho que isso pareça, já que faz parte do nosso cotidiano viver entre sangue e sofrimento, infelizmente), mas com as circunstâncias. Um homem, seqüestrado, foi deixado numa mata à mercê da própria sorte, sem água nem comida, descalço. Ao ser localizado por policiais militares, agarrado em uma árvore, com escoriações pelo corpo e com visíveis sinais de maus tratos, os policiais se surpreendem com a pergunta do homem: “Quanto ficou o jogo do Galo ontem?”. E a resposta do PM não deixou de ser igualmente, no mínimo, curiosa: estamos na final.” Só assim, então, o homem desgarrou da arvore e permitiu a aproximação de seus salvadores.

Eu como ser humano, me comovi e solidarizei com o homem. Mas como atleticano, eu o entendi. E com meu pai, que me ensinou a venerar Reinaldo, Cerezo e Cia. e a desprezar Wright, iniciei uma discussão sobre o Atlético. Esta é a conclusão que tirei:

Muitos me perguntam o porquê de ser atleticano. O fato é que a pergunta, cientificamente, é válida. Clube vive de títulos. Vitórias. Glorias que devem reciclar-se com o passar dos anos, para que novos torcedores possam engrossar a torcida e gerar receita, lucro e tudo o que isso abrange. E isso o Atlético não vive faz um tempo. Glórias de verdade. Sejam por árbitros mal intencionados, por incompetência própria ou por qualquer outra ironia do destino, grandes glórias nunca fizeram parte do cotidiano de um torcedor alvinegro. Isso é fato.Todos esses argumentos podem ser comprovados por dados estatísticos. Provados. Mas quem disse que a ciência explica a paixão? Diga pra um atleticano mudar de time. Argumente os fatos. E prepare-se para uma discussão sem fim.
Eu associo o fato de ser atleticano com a própria pátria amada. Atleticano e brasileiro possuem características que os fazem ser uma pessoa só, em qualquer canto desse país.

Tudo no Atlético é com dificuldade. Nada na vida desse clube é obtida com algum grau de facilidade. Dentro de campo ou fora dele. Jogos que parecem ser fáceis são transformados em enormes batalhas, históricas, com pressão do adversário até o ultimo minuto para que o atleticano possa comemorar o 1×0 com mais gosto. E você, cidadão brasileiro? Já conseguiu alguma coisa “de mão beijada”? Acredito que a grande maioria não, porque me refiro ao povo, e não aos poucos bem afortunados. Faz parte do cotidiano do brasileiro conseguir as coisas com dificuldade. Trabalhamos muito e conseguimos o que queremos com suor, contra tudo e contra todos. Somos um povo que luta. Assim como o Galo.

E quando a vitoria chega, por mínima que ela seja, comemoramos como se fosse a ultima, porque sabemos que ela veio com dificuldade, com gana, com vontade, com garra. Esse é o espírito. Assim como conseguimos trocar de carro ou ganhamos uma promoção de cinco centavos na padaria. Será comemorada a vitória. E a festa que o atleticano faz incomoda. Vestido com o manto sagrado, após uma vitoria sobre um time inexpressivo, perguntam-me: ganharam de quem? Não importa. A vitória é celebrada. Cada vitoria. Sem discussões. É o Galo.

E nas horas difíceis, que nos últimos anos insistem em nos acompanhar, o atleticano tira a camisa do armário e vai às ruas. Mas não o incomode. É a sua forma de protesto, de mostrar aos cartolas que por debaixo do manto tem um coração apedrejado e calejado, mas que continua batendo por aquele time que joga de preto e branco. Tudo o que pedimos é só um pouco de respeito a esse amor incondicional. E o brasileiro pede algo a mais aos governantes deste país que viram as costas para uma sociedade que clama por “consideração”? (Para não dizer outra coisa…vergonha na cara, hombridade, dignidade, etc).
Outro aspecto intrigante é a fé de um alvinegro.Por mais que a fase esteja ruim, quando o próximo jogo se aproxima, a esperança retorna com força máxima. Eu mesmo já cansei de dizer: “Nunca mais torço pra esse time”. Mas não tem como. Não tem. É impossível deixar o Galo. Por mais que o time insista em não reagir, o atleticano pode até não dizer, mas acredita que no próximo certame a reação vai acontecer. Com um santinho na mão, o radinho na outra, onde quer que o Galo esteja, a fé estará com ele, apoiando e empurrando. Essa espiritualidade faz parte do íntimo de qualquer cidadão brasileiro. Não é à toa que o Brasil tem uma das maiores misturas de crenças e credos, onde um católico joga flores no mar para Iemanjá e lê livros espíritas. É característica intrínseca de todos nós. Acreditar em um bem maior, numa força superior. Para aproximadamente oito milhões de pessoas em especial esse bem maior é alvinegro, forte e vingador.

E nunca deixamos uma briga de lado. Nunca entregamos os pontos. Até o ultimo minuto, até o apito final, o Galo luta e acredita na vitória. Não nos entregamos sem lutar. Não aprendemos a nos render. Temos coração, sangue correndo nas veias.

Assim como de quatro em quatro anos o eleitor vai às urnas acreditando que uma reação na nação possa ocorrer. Ele não desiste e nem pode desistir.

Mas como esse time tem tantos torcedores que largam o que estiverem fazendo para pegar um radio e escutar o jogo, onde quer que estejam, seja numa festa, na casa da sogra ou na igreja? Como que um time que não ganha títulos enche tanto o Mineirão? Como que eles gritam tanto para aquele time? Porque eles cantam o hino com tanta veemência? Como que aquele bando de loucos consegue infringir o medo sobre os adversários?
Porque somos atleticanos. Não viramos. Nascemos.

Mas não há nada pelo que torcer nesse time, você pode me indagar. Mude de time, você pode me aconselhar.
Abandonar o Galo significa abdicar o direito de viver. Seria um exílio da pátria.

Eu vivo o Galo. Vivo pelo Galo. Sou brasileiro, atleticano e não desisto nunca. "
"Estive pensando e... Nunca vi meu time ganhar um grande título, mas, ainda assim, consigo descobrir sentimentos através desse amor. A mesma dúvida que há 101 anos tenta ser desvendada me tomou o dia em pensamentos: Que mistério tem o Atlético que une milhões de corações em uma paixão incondicional e desmedida ? Não há quem ou o que explique tal coisa, nem o próprio atleticano consegue decifrar tamanha devoção. Será que todo alvinegro já se perguntou por que ele se manifesta de forma diferente que qualquer outro torcedor? No momento em que fazia a mim tais questionamentos me veio à cabeça o nosso passado... O passado do Glorioso de que tanto meu avô fez questão de exaltar e me confidenciar... O Galo é tradição que se passa de geração em geração! Ahhh... Quantas vezes ouvi do meu avô as histórias dos gols do Rei, e sorri, mesmo não entendendo nenhuma palavra. Os cruzamentos do Humberto Ramos na cabeça de Dario, O Mario de Castro fazendo gol no Villa Nova e dizendo adeus (o mesmo Mário de Castro que disse não à seleção), as memoráveis defesas de João Leite, as improváveis jogadas de um tal Ubaldo denominado o santo dos chutes impossíveis... É impossível relembrar nosso passado sem falar do supervice- campeonato brasileiro, o título “perdido” mais injusto da história do futebol, em 1977. Nossa, são tantas histórias, que diga-se de passagem, são comuns à times tradicionais e históricos como o nosso Galo. E a Libertadores de 1981,então !? Dessa melhor nem lembrar, porque até em mim, que não vivi tal época, o sentimento de raiva tem seu reduto só de ver os vídeos históricos da partida contra o Flamengo. Cerezzo, Paulo Isidoro, Cincunegui... Foram tantos ídolos que o número de caracteres não me permitiria citar todos eles. Da nossa história recente Marques e Guilherme se destacam, e esses dois eu vi jogar!
Voltando ao passado, os primeiros torcedores do Clube Atlético Mineiro não eram torcedores, eles eram o próprio clube, porque através deles a instituição conseguiu existir. E é o que exatamente acontece hoje! É assim, fazendo uma reflexão, que a gente pode entender como é o perfil psicológico da torcida do Atlético. Algo inexplicável. Algo que é passado de pai para filho, de avô para neto. O porquê de nós atleticanos torcermos diferente? NÓS APRENDEMOS A SER DIFERENTE! Como diria Roberto Drummond, a gente muda de tudo na vida. A gente só não muda de time, quando ele é uma tatuagem com as iniciais C.A.M., do Clube Atlético Mineiro, gravadas no coração. Ser atleticano é amar além dos limites, é rir, chorar, cantar, vibrar e dizer: Eu amo esse clube! Não há lei da física que explique a força dessa paixão, paixão desmedida que por sinal é a essência atleticana. Escrevi, reescrevi, escrevi novamente e escrevi de novo, mas mesmo assim, ainda não conseguir decifrar a tão intrigante dúvida que me fez escrever tudo isso: Que mistério tem o Atlético ? "
TORCIDA APAIXONADA (E APAIXONANTE)

"É impossível falar em Atlético sem falar em sua torcida. A torcida do Atlético é um espetáculo à parte. Desloca uma energia para o campo capaz de transformar peladeiros de domingo em craques. Exagero? Não. Só quem está em campo sente na pele e no coração a força do grito que vem da arquibancada. Ele é ensurdecedor. O adversário treme. Quando a torcida Atleticana age como um exército de abnegados amantes do clube, seu grito é irresistível. É um grito só, formado por milhares de vozes: “Galo, Galo, Galo”.
Torcida ajuda a ganhar jogo? Claro que sim. Já vi a torcida do Galo dar shows no Mineirão. O Show é único: tem hino, tem festa, tem bandeira, tem cerveja, tem alegria, tem tropeiro, tem multidão. A torcida do Galo dá arrepios, faz a gente chorar de emoção, obriga os jogadores a se desdobrarem em campo em busca da vitória. Que beleza ver o time jogar e a torcida empurrar os jogadores com seu canto de guerra e amor.
O Atleticano exala uma paixão que nenhuma outra torcida do país consegue. Pode, no mínimo, ser igual. Nunca superior. Sem dúvida alguma uma das mais empolgantes do mundo. Ela prova a cada dia que vale sonhar, mesmo que seja o impossível... Imaginar uma história em preto e branco.
Dizem que quem nasce Atlético, morre Atlético. É uma questão de sensibilidade, de querer ser feliz. Há mulheres que queriam ser amadas por um homem como o Atlético é amado pelo seu povo. O amor pelo Atlético é um amor que se basta. Dói como todo amor, mas basta. O caso de amor não é único. A obsessão alvinegra não tem limites: resiste a tudo e a todos; revela-se com a mesma força nos triunfos e nas derrotas; sobrepõe-se aos vexames e às decepções; extrapola as fronteiras do racional para sublimar-se no ideal da paixão.
Assim se constroem a tradição e o prestígio dos grandes clubes, e não através de triunfos passageiros e enganoso domínio. Nosso maior título é o Galo existir. Na verdade, o torcedor sente e sofre com a fase ruim, mas continua fiel ao clube do coração. Mesmo nas vitórias mais simples, o Atleticano derrama lágrimas, exibe o manto sagrado, enrola-se na bandeira e ressalta todo seu amor ao clube. Uma torcida que tem a vitória como ideal (Vencer, vencer, vencer...). Que aprendeu cedo: Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer!
“Atleticanismo” não se explica, se sente. É difícil avaliar toda dimensão do sentimento Atleticano. É um estado de espírito que o faz entregar-se de bolso e alma ao clube. Ultrapassa os limites da religião. Somos uma nação dentro de uma nação maior chamada Brasil. Uma nação que pulsa, que grita, que ama.
Quando nasceu, o Atlético logo se identificou com o povo. Um clube à caça de gente humilde, sem preconceitos ou ideologia, indiferente à sociedade, status ou política. Hoje, esta paixão tem 100 anos.
E não interessa se o adversário tem mais craques ou melhor campanha. Isso, na verdade, é até melhor: o Galo cresce e iguala tudo... Na raça. Estrelas ficam no Céu e aqui embaixo é preciso ter guerreiros. O Atlético sempre foi assim: quando lhe falta um grande time, eis que desponta no campo o grande clube que é. Tão grande quanto a infinita paixão que o inspira e o engrandece.
Mas um trunfo nenhum time do mundo possui. Sua torcida, de tanto sofrer, ser humilhada e massacrada, viu um fio de esperança e o agarrou como se fosse sua salvação. É tão fantástica que os homens terão de mudar os livros de História. Quem disse que o mundo tem só sete maravilhas, nunca viu a torcida do Atlético cantando o hino do clube. É para matar qualquer um de emoção. "
"Somos Guerreiros, e apoiaremos o GALO para sempre!!
Hoje eu sai com a camisa do Galo.
Vergonha de ser atleticano ?
Nunca, eu me orgulho de usar uma camisa
que simpatizantes colocariam no armário
depois de uma derrota.

Um grande amor passa por crises,
mas nunca se duvida que o amor é verdadeiro.
Ontem brigamos feio.
Queria falar palavrões.
Queria largar tudo.
Queria que o dia passasse logo.
E fui dormir. Fui dormir com minha camisa do Galo.

Quando acordei com a mesma camisa,
vi que meu amor em nada mudou.
Vergonha de perder ?
Eu teria vergonha de me omitir.
De me esconder apos uma derrota.

Que todos vejam o amor que tenho.
Amor em preto e branco.
Amor que supera adversidades.
Hoje é o dia seguinte de um dia amargo
Mas pra mim vai ser mais um dia de orgulho
de ser sempre atleticano.

Aos simpatizantes, hoje vocês podem sentir saber o sabor de uma boa vitória, mas nunca vocês saberão como é se sentir atleticano.

Aos que comandam esse Clube: passem logo por ele. Tenham o mínimo de humildade pra entender que vocês não tem feito bem a ele. O Atlético não depende de vocês para sobreviver. O motivo do Atlético ser o Atlético é a sua torcida e cada dia mais vocês tem afastado a mesma do estádio.

Aos torcedores, sinceramente hoje não é o dia de cornetar. Cornetar depois do acontecido é a coisa mais fácil de fazer. Hoje todo mundo é ruim. O problema é que o bom de antigamente hoje virou o pior do mundo. Tenham o minimo de coerencia ao criticar. Vários jogadores bons ontem foram mal e não é por isso que o Galo tem que cair na armadilha de destruir bons jogadores."
"Muitos anos atrás, meu coração decidiu ser alvinegro. Acho que transitou pelo mundo das cores e não viu lá nada que despertasse qualquer sentimento. Não quis o vermelho, o verde, muito menos o azul. Deste quis distância figadal. Mergulhou profundamente na ausência das cores e se tornou preto com listras brancas. E aí me pegou, com a força avassaladora da paixão. Coisa sem explicação . . ."
"Não sei se é apropriado chamar de gutural o grito de Galo que ecoa no Mineirão.

Porque se gutural é apenas o grito que vem da garganta como diz o dicionário, aquele grito de Galo gutural não é.

Porque aquele grito vem da alma.

Do fundo d'alma!

E há 100 anos.

Muito antes do Mineirão.

O grito que é maior do que todos que já vestiram a gloriosa camisa alvinegra do Atlético Mineiro.

E muito maior do que todos que já o dirigiram.

O grito que ainda há de botar para fora todos que o exploram.

O grito de liberdade, ainda que tarde.

O grito que se confunde com o grito de campeão, o maior campeão das Minas Gerais, o primeiro campeão brasileiro de futebol.

O grito de Galo."
"O atleticano é atleticano desde o nascimento.
Chega no mundo “botando a cara”.

Ouve do pai as histórias dos gols do Rei,
E sorri, mesmo não entendendo nenhuma palavra.

O atleticano se empolga quando passa de carro pela Olegário Maciel
e ouve o avô apontar para o lugar onde Mario de Castro disse não à seleção

O atleticano fica triste num domingo sem futebol,
Mas come o feijão tropeiro feito pela mãe com a mesma satisfação
Que se estivesse acompanhado daquela cerveja semi-gelada do mineirão.

O atleticano passa com pressa por uma banca de jornal e para,
Olha pra trás e volta.
No canto inferior esquerdo do jornal pendurado, acha uma nota sobre o treino do time,
E folheia o jornal até ter a atenção chamada pelo “tio” da banca.

O atleticano estranha quando passa pela Avenida Antônio Carlos num dia de semana
Mesmo com o trânsito pesado, ele acha a avenida vazia e nem reclama do tráfego.

O atleticano não canta uma parte do hino nacional por razões óbvias,
Não gosta de andar no Barro Preto e não perde a missa celebrada no Natal.

O atleticano vibra, sofre, grita, chora e principalmente luta
Luta e ergue o punho cerrado contra as injustiças

O atleticano é vivido e se tornou calejado, sabe das coisas, é Galo “velho”.
É velho porque faz aniversário duas vezes por ano.

É calejado, vivido e velho, mas é imortal."
"O que é o Atlético? Sempre quis responder a essa pergunta. Quase todo Clube tem a mesma história. Os fundadores são o próprio Clube. São jogadores, diretores, torcedores... Mas apenas o Galo mantém essa essência. Somos todos fundadores. Então para responder a essa pergunta tenho que falar da Torcida. Para isto juntei, durante anos, textos, crônicas, declarações, etc e respondo a esta pergunta. Eis o Atlético:

Ser atleticano é ser tudo e “nada”…
O Galo faz nossas vidas perderem o sentido,
Mas por outro lado ele é o sentido de nossas vidas.

Ser atleticano é ir ao Mineirão,
Olhar para o gramado,
Vibrar, pular e sorrir com 1 gol,
Mas em seguida cair, perder as forças e chorar,
Chorar de emoção ao parar olhar pro gramado,
E olhar praquela multidão, a arquibancada,
Onde outras milhares de pessoas compartilham o msm sentimento.

Ser atleticano é ser anônimo,
Mas ser conhecido,
Integrar uma massa,
Mas ser único,
É ter vergonha da derrota,
Mas mesmo na derrota ter orgulho de ser atleticano.

Ser atleticano é parar pra pensar,
Pensar como é tolo o torcedor,
Pensar como é besta ser tão apaixonado,
Pensar como é desnecessário o futebol,
E em seguida parar de pensar e do nada gritar: GALO!!!

Torcer pro Atlético é amar e odiar,
Brigar e fazer as pazes,
Dar 1 tapa e estender a mão,
Jogar e cantar,
É estender as mãos pro céu e agradecer: OBRIGADO!!! "
Meu time conquista titulos antes mesmo do futebol ser considerado esporte, sem contar que é tambem o time de expressão que mais conquistou titulos durante o século de sua existência... Ao contrário das marias, eu sei que a história do meu time não se resume à minha história de vida... perto do meu time eu não tenho sequer tempo de vida, perto do meu time o Cruzeiro é um time emergente! Que vive na atualidade, seu melhor momento como clube, mas o pior ainda esta pra vir, e sem torcedores que ,mais que o presente, enxergam o passado vai ser dificil conseguir um alicerce para se reerguer! EU entendendo que o mundo não é só o presente, eu torço pro preto e pro branco, eu torço pro pobre e pro rico, eu torço pro policial e pro ladrão... eu torço pra união das duas cores mais importantes. EU TORÇO PRO GALO!

domingo, 29 de março de 2009

O Pássaro Azul

"Recentemente, estava eu andando pelos corredores do Mercado Central, quando me deparei, numa loja de quinquilharias, com um brinquedo consistente num pássaro azul de plástico, que emitia um irritante trinado metálico e fazia movimentos rígidos com as asas, a cada vez que alguém batia palmas ou fazia algazarra perto dele. O desenxabido pássaro, sem a algazarra e as palmas alheias, não passava de algo estático e frio. Pois bem, eu, meu filho e alguns amigos estivemos no Mineirão no jogo entre América e Cruzeiro, para torcermos pela derrota do time azul, que beneficiaria o nosso Galo. Nós tomamos assento próximo da batucada da torcida americana e eu pude perceber que outros atleticanos estavam ali com o mesmo intuito. Jamais tinha vivido a experiência de estar numa torcida alheia torcendo contra o Cruzeiro. Foi algo único e profundamente revelador, pois pude perceber que os torcedores (ou melhor, os simpatizantes) do Cruzeiro funcionam tal e qual o pássaro azul do Mercado Central. A "torcida" do Cruzeiro permaneceu os 90 minutos do jogo absolutamente estática e muda. No lado cruzeirense o que se viu foi um aglomerado de pessoas tão "calorosas" quanto um iceberg. Ou seja, a "torcida" cruzeirense só existe em função da fanática e apaixonada torcida atleticana. Somente nos jogos contra o Galo é que os glaciais torcedores do Cruzeiro se manifestam, já que a vibração da torcida alvinegra funciona como as palmas que ativam o insosso pássaro azul de plástico. Nós, atleticanos, somos os espelhos nos quais os cruzeirenses se refletem. Se não estamos ocupando as gerais e as arquibancadas do estádio, os cruzeirenses não se sentem na obrigação de torcer. A impressão que se tem é que os cruzeirenses só torcem na presença dos atleticanos para não fazer feio. Pois se dependesse deles próprios, com suas camisas cheirando a naftalina, nem torceriam.
Quando nós, atleticanos, estamos ausentes, o que se vê é uma "animação" de agência funerária no lado azul glacial do Mineirão. Eu afirmo, sem medo de errar, que os cruzeirenses têm com os atleticanos uma relação de amor e ódio, pois nós somos aquilo que eles querem ser e nunca serão. A relação do atleticano com o Galo é absolutamente passional, beirando o fervor religioso. Entretanto, a relação do cruzeirense com o seu time é absolutamente burocrática e monótona. Ao contrário de nós, atleticanos, que temos uma fidelidade matrimonial ao nosso time, já que estamos com o Galo para o que der e viver, "na alegria ou na dor". "

 

Túllio M. S. Carvalho

sábado, 24 de janeiro de 2009

"...A Terra em sua longa jornada pelo universo, já contou bilhões de voltas em torno do sol. E para uma nação de apaixonados, somente as últimas cem fizeram realmente sentido. Para o atleticano este é o mundo, e não há lei da Física que resista à força dessa paixão, subvertendo à ordem natural como é próprio ao herói. Para o Atleticano, o universo é que gira em torno do Atlético. Para o Atleticano, o mundo começou há um século, em cada passe, em cada chute, a cada gol. É uma pagina da história mais nobre de todas. E a jornada está apenas começando. O próximo século será ainda melhor, mais emocionate, cada dia mais intenso, cada jogo mais importante, com cada herói que nascer renascerá o mito. Para muitos, a Terra tem muitas cores, mais para uma nação em especial as que importam mesmo são o preto e o branco..."
Hoje eu sαi com α cαmisα do Gαlo. Vergonhα de ser Atleticαno ? Eu me orgulho de usαr umα cαmisα que simpαtizαntes colocαriαm no αrmαrio depois de umα derrotα. Um grαnde αmor pαssα por crises, mαs nuncα se duvidα que o αmor é verdαdeiro. Ontem brigαmos feio, queriα fαlαr pαlαvrões, queriα lαrgαr tudo. Queriα que o diα pαssαsse logo, e fui dormir, fui dormir com minhα cαmisα do Gαlo, quαndo αcordei com α mesmα cαmisα, vi que meu αmor em nαdα mudou.Vergonhα de perder ? Eu teriα vergonhα de me omitir, de me esconder αpos umα derrotα, que todos vejαm o αmor que tenho, Amor em Preto e Brαnco, Amor que superα αdversidαdes. Hoje é o diα seguinte de um diα αmαrgo, mαs prα mim vαi ser mαis um diα de orgulho de ser sempre Atleticano. Aos simpαtizαntes, hoje vocês podem sentir o sαbor de umα boα vitóriα, mαs nuncα vocês sαberαo como é se sentir Atleticano. Aos que comαndαm esse Clube: pαssem logo por ele.Tenham o mínimo de humildαde prα entender que vocês nαo tem feito bem α ele.O Atlético nαo depende de vocês pαrα sobreviver. O motivo do Atlético ser o Atlético é α suα torcidα, e cαdα diα mαis vocês tem αfαstαdo α mesmα do estαdio.Aos torcedores, sincerαmente hoje nαo é o diα de cornetαr. Cornetαr depois do αcontecido é α coisα mαis fαcil de fαzer, hoje todo mundo é ruim, o problemα é que o bom de αntigαmente hoje virou o pior do mundo, tenhαm o minimo de coerenciα αo criticαr, vαrios jogαdores bons ontem forαm mαl e nαo é por isso que o Gαlo tem que cαir nα αrmαdilhα de destruir bons jogαdores. Nαo nos envergonhemos nuncα do nosso time, pois como em umα guerrα o αtleticαno nuncα renegα α suα nαçαo ! Tudo isso pαssα, mαs o Gαlo, o meu Gαlo, esse é ETERNO !!! '

Autor desconhecido

A MASSA

Torcidas, haverá as mais numerosas (Flamengo) ou mais conhecidas por sua grandeza (Corinthians), mas nenhum séqüito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heróico, em poesia acumulada ao longo dos anos. "A Massa", como é simplesmente conhecida em Minas Gerais, compartilha com a torcida corinthiana ("A Fiel") a honra de deixar-se conhecer com um substantivo ou adjetivo comum transformado em nome próprio, inconfundível. A Fiel, A Massa: poucas outras torcidas terão realizado tal operação de mutação de um nome comum em nome próprio.

Muito distintas são, no entanto, as torcidas dos alvi-negros paulistano e belo-horizontino: quem já vestiu a camisa do time do Parque de São Jorge sabe que a Fiel é fiel em sua paixão, não em seu apoio. Na derrota, a Fiel é implacável; não desaparece, como a torcida do Cruzeiro. Está sempre lá. Toda a mística da camisa, das vitórias sobre times tecnicamente superiores (e também das derrotas trágicas e traumáticas), emana da épica, das legendárias histórias que nutre sua apaixonada torcida: nem o Urubu, nem o Porco, nem o Peixe, nem a Raposa, nem o Leão, nem nenhum animal mascote se confunde com o nome do time, com sua identidade, com sua alma mesma, como o Galo com o Atlético Mineiro. E Galo é o nome da torcida (GA-LO), bissílabo cantável e entoável como grito de guerra que ela eternizou ao encarnar em si o espírito do animal. Nenhum outro time é conhecido por tantas vitórias improváveis só conquistadas porque a massa empurrou. "Quem possui uma torcida como esta, é praticamente impossível de ser derrotado em casa" (Telê Santana).

Pelos idos de 69 ou 70, o timaço do Cruzeiro já tetra ou pentacampeão entrava em campo mais uma vez e parecia que de novo ia humilhar o Atlético, que já amargava o quinto aniversário do Mineirão sem nenhum título estadual. A superioridade técnica de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Raul, Piazza e cia. era simplesmente incontestável. Mesmo naquele clássico durante vacas tão magras, a massa atleticana era, como sempre foi, maioria no Mineirão. Impotente, ela viu Dirceu Lopes abrir o placar e o time do Cruzeiro massacrar o Galo durante 45 minutos. No intervalo, a Massa que cantava o hino do Atlético foi inflamada por um recado de Dadá Maravilha pelo rádio: "Carro não anda sem combustível". A fanática multidão encheu-se de brios, fez barulho como nunca, entoou o grito de guerra como nunca, encurralou sonoramente a torcida cruzeirense, e o time do Atlético infinitamente inferior, liderado pelo artilheiro Dario e pelo seu grande goleiro (como é da tradição atleticana) Mazurkiewcz - virou o placar para 2 x 1 sobre o escrete azul, e abriu caminho para a reconquista da hegemonia em Minas, selada com o título estadual de 70 e o Brasileiro de 71. Nenhum dos jogadores atleticanos presentes nessa vitória jamais se esqueceu da energia que emanava das arquibancadas, e que literalmente ganhou o jogo. Também as derrotas tradicionalmente contribuíram para a mística e paixão atleticana: como em 1998, quando o visitante Corinthians trouxe ao Mineirão sua máquina que se preparava para ser bicampeã brasileira e campeã mundial. O Galo se recuperava no Campeonato Brasileiro, vinha de uma vitória sobre o Grêmio no Olímpico, e a Massa mais uma vez lotou o estádio. Com seu toque de bola, o Corinthians envolveu o time atleticano, e no meio do segundo tempo já aplicava impiedosos 5 x 0, enquanto tocava a bola, colocava os atleticanos na roda e esperava o fim do jogo. Vendo seu time humilhado por um adversário superior dentro de seu próprio terreiro, massa se levantou, e cantou durante mais de 10 minutos o belo hino, mais alto e com mais amor que nunca. Nenhum jogador presente se esqueceu, e um ano depois o Galo devolveria ao Corinthians os 5 x 1 do Mineirão, com sonoros 4 x 0 no Maracanã."Se houver uma camisa alvi-negra pendurada no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento". O achado do cronista Roberto Drummond resume a mito contra fenômenos naturais, contra todas as possibilidades, contra forças maiores, a torcida atleticana passa por radical metamorfose e se supera. Superou-se tantas vezes que já não duvida de nada, e cada superação reforça ainda mais a mística, como uma bola de neve da paixão futebolística. Nenhum atleticano hesitaria em apostar na capacidade da Massa de transformar o impossível em possível a qualquer momento, de fazer parar aquela tempestade que açoita o pavilhão alvi-negro deixado solitário no varal. Ao contrário das torcidas conhecidas por sua origem étnica (Palmeiras, Cruzeiro, Vasco), por sua origem social (Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo), ou por seu crescimento a partir de uma grande fase do time (Santos), qualquer menção da torcida do Atlético Mineiro evoca, invariavelmente, substância mesma que constitui o torcer. O amor ao time na vitória e na derrota, o apoio incondicional, a garra, a crença de que sempre é possível virar um resultado, o hino entoado unissonamente: a legião fanática que ama o Galo acima de tudo sabe que ser atleticano é unir-se num estado de espírito, compartilhar uma memória, e fazer da esperança uma permanente iminência.A massa atleticana é a prova maior de que, mesmo em época de profissionalização total do futebol, e do negócio futebol, para o povo brasileiro este é acima de tudo paixão por uma cor, um nome, um símbolo, a memória de um instante que pode ser um gol, um campeonato, um abraço ou um beijo. Galo é o nome que mais radical e verdadeiramente expressa, para tantos milhões de brasileiros , o inexplicável dessa paixão.

Idelber Avelar

A Vida de um Atleticano

"A gente não ganha muito ultimamente, mas se diverte pra caramba. O Galo não é um time de vitórias épicas, campeonatos ganhos no último minuto, essas coisas irrelevantes. Para o atleticano, basta um foguete, somente um estouro de um foguete... Aí alguém grita Gaaaaalôôôôô. Pronto... Você ouve, tira o chinelo, desiste das cobertas, esquece os problemas. Coloca a bandeira em cima do carro, põe o hino para tocar, tocar trinta vezes.
Encontra com um amigo, com dois, com cinco, com milhares. Galo! Galo! Galo! Todo mundo sabe que as cordas vocais do atleticano começam na aorta. A gente canta o hino, canta sem parar. Canta o hino no começo, no meio, no fim... ...quando o Taffarel dá uma volta no campo depois de ganhar uma decisão nos pênaltis, quando é eliminado pelo Palmeiras reforçado por um juiz, quando é rebaixado, quando sobe, quando ganha das Marias, quando o Dadá dá a cabeçada desengonçada mais bonita do mundo. A gente canta! Quer sinal maior de alegria? E vai nessa toada até o Willy Gonzer gritar gol. Nessa hora, não tem garganta, copo de cerveja ou prato de tropeiro que fique inteiro.
Atleticano de verdade comemora gol até na reprise. E chega em casa empurrando o carro, feliz, porque a bateria acabou de tanto buzinar. Tá bom. Muitas vezes o enredo é bem outro. O atacante não acerta, o juiz não colabora, o outro time não perdoa. A gente faz pressão, tenta ganhar no grito, fica com torcicolo de virar o rosto a cada gol errado. E a virada não vem. Aí a gente diz e promete: Nunca mais torço pra esse time!
Até estourar o próximo foguete...
a diversão recomeça, ou melhor, nunca acaba... Para ser atleticano não é só querer ser...
O atleticano já nasce ATLETICANO."
Noite em Belo Horizonte. Um velho torcedor conversa com o tempo.
"Uai, cem anos? Mas parece que foi ontem que a gente corria atrás de uma bola de meia na Afonso Pena. Ontem que meus amigos matavam aula pra fundar o nosso 'Atlético Mineiro Futebol Clube'.
Pois o Atlético era mais importante que tudo no mundo. Quem era aquele moleque pegando no gol? Seria João Leite? Ou seria o Kafunga? E aqueles dois brincando de zagueiro? Tão parecidos com o Luisinho e o Osmar. Já falei pra seu Telê que o Odair tem de bater todas as faltas. Principalmente contra o São Paulo .Ainda posso ver o Humberto Ramos cruzando na cabeça de Dario! O Mangabeira desenhando um galo carijó. Toninho Cerezzo driblando o tempo com as meias arriadas. E sendo chamado atenção por Zé do Monte.O Mario de Castro fazendo gol no Vila Nova e dizendo adeus. Já não dava pra cabular aula na vida. Nem mesmo pelo Galo. Mas veio Reinaldo. Quando os cruzeirenses falavam 'Tostão', a gente dizia 'Reinaldo'. E tava tudo empatado. Embora cá pra nós, igual a Reinaldo nem Tostão. A torcida anda impaciente. O time não vence. Eu já falei. Chama o Ubaldo. O santo dos chutes impossíveis. Chama o Ubaldo. Ou qualquer um daqueles meninos que sonhavam com uma bola de meia. Só não deixa o Carlyle sozinho com a bola. Depois ele resolve sentar nela de novo e já viu, né?"

Autor desconhecido
Que o Mundo inteiro saiba, que na data de 27/11/2005 o Clube Atlético Mineiro caiu para a 2ª divisão.
Que o Mundo saiba, que neste mesmo ano, o Galo conheceu os Guerreiros da Categoria de Base, garotos que se transformaram em homens e defenderam a Camisa do Galo com amor.
Que o Mundo saiba que neste dia o time deixou o estádio cercado pela massa cantando o Hino.
Que o Mundo saiba, que em 2006 a Apaixonada Torcida Atleticana vai apoiar o time como jamais fez em seus 97 anos.
Que o Mundo saiba, que o Clube Atlético Mineiro é mais que um time.
Que esta data fique marcada como o dia em que o Mundo entendeu que o Clube Atlético Mineiro tem a Maior e Mais Apaixonada Torcida do Mundo.
2006 - O ano que a Raça estará de volta.
Clube Atlético Mineiro, Uma Vez Até Morrer!!!

Esse texto arrepiaaaa...
Atlético, 100.

O melhor lance do Atlético não foi num jogo. Foi fora dele. Foi numa derrota.
Minto, num empate de um time invicto, o supervice-campeão do BR-77. Não foi o melhor jogo ou jogada. Mas não teve nada mais atleticano que aquilo: depois da derrota nos pênaltis para o São Paulo, Mineirão e Brasileirão estupefatos pela queda sem derrota de um senhor time de bola, os jogadores baqueados e barreados pela chuva e pela lama se abraçaram no gramado e assim foram ao vestiário.
Foi a primeira vez que vi a cena reverente que virou referência. Ninguém estava fazendo marketing (nem existia a tal palavra). Nenhum jogador estava jogando pra galera. Era fato. Time e torcida estavam juntos naquele abraço doído e doido. Como tantas vezes o atleticano esteve junto com o time. Qualquer time.
Nada é mais atleticano que aquilo: um time que se comportou como o torcedor. Solidário na dor, irmão no gol. O atleticano é assim: tem a coragem do galo, mas não a crista. Luta e vibra com raça e amor. Mas não se acha o dono do terreiro. Sabe que precisa brigar contra quase tudo e contra quase todos. Até contra o vento, na célebre imagem de Roberto Drummond. Aquela que fala da camisa preta e branca pendurada num varal durante uma tempestade. Para o escritor atleticano, ou, melhor, para o atleticano escritor, o torcedor do Atlético sopraria e torceria contra o vento durante a tormenta. Não é metáfora. É meta de quem muitas vezes fica de fora da festa. Não porque quer. Mas porque não querem.
Posso falar como jornalista há 17 anos e torcedor não-atleticano há 41: não há grande equipe no país mais prejudicada pela arbitragem. Os exemplos são tantos e estão guardados nos olhos e no fígado. Não por acaso, o atleticano acaba perdendo alguns jogos e títulos ganhos porque acumulou nas veias as picadas do apito armado. Algumas vezes, é fato, faltou time. Ou só sobrou raça. Mas não faltou aquilo que sobra no Mineirão, no Independência, onde o Galo for jogar: torcida. Pode não ser a maior, pode não ser a melhor, pode até se perder e fazer perder por tamanha paixão, cobrando gols do camisa 9 como se todos fossem Reinaldo, pedindo técnica e armação no meio-campo como se todos fossem Cerezo, exigindo segurança e elegância da zaga como se todos fossem Luisinho. Mas não se pode cobrar ninguém por amar incondicionalmente. O atleticano não exige bola de todo o time. Não cobra inspiração de cada jogador. Quer apenas ver um atleticano transpirando em cada camisa, em cada posição, em cada jogada.
Por isso pede para que o time lute. É o mínimo para quem dá o máximo na arquibancada.A maior vitória atleticana é essa. Mais que o primeiro Brasileirão, em 1971, mais que o vice mais campeão da história do Brasil, em 1977. Os tantos títulos e troféus contam. Mas tamanha paixão, essa não se mede. Essa é desmedida.
Essa é a essência atleticana.
Essa é centenária.
Essa é eterna.

Mauro Betting