sábado, 24 de janeiro de 2009

"...A Terra em sua longa jornada pelo universo, já contou bilhões de voltas em torno do sol. E para uma nação de apaixonados, somente as últimas cem fizeram realmente sentido. Para o atleticano este é o mundo, e não há lei da Física que resista à força dessa paixão, subvertendo à ordem natural como é próprio ao herói. Para o Atleticano, o universo é que gira em torno do Atlético. Para o Atleticano, o mundo começou há um século, em cada passe, em cada chute, a cada gol. É uma pagina da história mais nobre de todas. E a jornada está apenas começando. O próximo século será ainda melhor, mais emocionate, cada dia mais intenso, cada jogo mais importante, com cada herói que nascer renascerá o mito. Para muitos, a Terra tem muitas cores, mais para uma nação em especial as que importam mesmo são o preto e o branco..."
Hoje eu sαi com α cαmisα do Gαlo. Vergonhα de ser Atleticαno ? Eu me orgulho de usαr umα cαmisα que simpαtizαntes colocαriαm no αrmαrio depois de umα derrotα. Um grαnde αmor pαssα por crises, mαs nuncα se duvidα que o αmor é verdαdeiro. Ontem brigαmos feio, queriα fαlαr pαlαvrões, queriα lαrgαr tudo. Queriα que o diα pαssαsse logo, e fui dormir, fui dormir com minhα cαmisα do Gαlo, quαndo αcordei com α mesmα cαmisα, vi que meu αmor em nαdα mudou.Vergonhα de perder ? Eu teriα vergonhα de me omitir, de me esconder αpos umα derrotα, que todos vejαm o αmor que tenho, Amor em Preto e Brαnco, Amor que superα αdversidαdes. Hoje é o diα seguinte de um diα αmαrgo, mαs prα mim vαi ser mαis um diα de orgulho de ser sempre Atleticano. Aos simpαtizαntes, hoje vocês podem sentir o sαbor de umα boα vitóriα, mαs nuncα vocês sαberαo como é se sentir Atleticano. Aos que comαndαm esse Clube: pαssem logo por ele.Tenham o mínimo de humildαde prα entender que vocês nαo tem feito bem α ele.O Atlético nαo depende de vocês pαrα sobreviver. O motivo do Atlético ser o Atlético é α suα torcidα, e cαdα diα mαis vocês tem αfαstαdo α mesmα do estαdio.Aos torcedores, sincerαmente hoje nαo é o diα de cornetαr. Cornetαr depois do αcontecido é α coisα mαis fαcil de fαzer, hoje todo mundo é ruim, o problemα é que o bom de αntigαmente hoje virou o pior do mundo, tenhαm o minimo de coerenciα αo criticαr, vαrios jogαdores bons ontem forαm mαl e nαo é por isso que o Gαlo tem que cαir nα αrmαdilhα de destruir bons jogαdores. Nαo nos envergonhemos nuncα do nosso time, pois como em umα guerrα o αtleticαno nuncα renegα α suα nαçαo ! Tudo isso pαssα, mαs o Gαlo, o meu Gαlo, esse é ETERNO !!! '

Autor desconhecido

A MASSA

Torcidas, haverá as mais numerosas (Flamengo) ou mais conhecidas por sua grandeza (Corinthians), mas nenhum séqüito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heróico, em poesia acumulada ao longo dos anos. "A Massa", como é simplesmente conhecida em Minas Gerais, compartilha com a torcida corinthiana ("A Fiel") a honra de deixar-se conhecer com um substantivo ou adjetivo comum transformado em nome próprio, inconfundível. A Fiel, A Massa: poucas outras torcidas terão realizado tal operação de mutação de um nome comum em nome próprio.

Muito distintas são, no entanto, as torcidas dos alvi-negros paulistano e belo-horizontino: quem já vestiu a camisa do time do Parque de São Jorge sabe que a Fiel é fiel em sua paixão, não em seu apoio. Na derrota, a Fiel é implacável; não desaparece, como a torcida do Cruzeiro. Está sempre lá. Toda a mística da camisa, das vitórias sobre times tecnicamente superiores (e também das derrotas trágicas e traumáticas), emana da épica, das legendárias histórias que nutre sua apaixonada torcida: nem o Urubu, nem o Porco, nem o Peixe, nem a Raposa, nem o Leão, nem nenhum animal mascote se confunde com o nome do time, com sua identidade, com sua alma mesma, como o Galo com o Atlético Mineiro. E Galo é o nome da torcida (GA-LO), bissílabo cantável e entoável como grito de guerra que ela eternizou ao encarnar em si o espírito do animal. Nenhum outro time é conhecido por tantas vitórias improváveis só conquistadas porque a massa empurrou. "Quem possui uma torcida como esta, é praticamente impossível de ser derrotado em casa" (Telê Santana).

Pelos idos de 69 ou 70, o timaço do Cruzeiro já tetra ou pentacampeão entrava em campo mais uma vez e parecia que de novo ia humilhar o Atlético, que já amargava o quinto aniversário do Mineirão sem nenhum título estadual. A superioridade técnica de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Raul, Piazza e cia. era simplesmente incontestável. Mesmo naquele clássico durante vacas tão magras, a massa atleticana era, como sempre foi, maioria no Mineirão. Impotente, ela viu Dirceu Lopes abrir o placar e o time do Cruzeiro massacrar o Galo durante 45 minutos. No intervalo, a Massa que cantava o hino do Atlético foi inflamada por um recado de Dadá Maravilha pelo rádio: "Carro não anda sem combustível". A fanática multidão encheu-se de brios, fez barulho como nunca, entoou o grito de guerra como nunca, encurralou sonoramente a torcida cruzeirense, e o time do Atlético infinitamente inferior, liderado pelo artilheiro Dario e pelo seu grande goleiro (como é da tradição atleticana) Mazurkiewcz - virou o placar para 2 x 1 sobre o escrete azul, e abriu caminho para a reconquista da hegemonia em Minas, selada com o título estadual de 70 e o Brasileiro de 71. Nenhum dos jogadores atleticanos presentes nessa vitória jamais se esqueceu da energia que emanava das arquibancadas, e que literalmente ganhou o jogo. Também as derrotas tradicionalmente contribuíram para a mística e paixão atleticana: como em 1998, quando o visitante Corinthians trouxe ao Mineirão sua máquina que se preparava para ser bicampeã brasileira e campeã mundial. O Galo se recuperava no Campeonato Brasileiro, vinha de uma vitória sobre o Grêmio no Olímpico, e a Massa mais uma vez lotou o estádio. Com seu toque de bola, o Corinthians envolveu o time atleticano, e no meio do segundo tempo já aplicava impiedosos 5 x 0, enquanto tocava a bola, colocava os atleticanos na roda e esperava o fim do jogo. Vendo seu time humilhado por um adversário superior dentro de seu próprio terreiro, massa se levantou, e cantou durante mais de 10 minutos o belo hino, mais alto e com mais amor que nunca. Nenhum jogador presente se esqueceu, e um ano depois o Galo devolveria ao Corinthians os 5 x 1 do Mineirão, com sonoros 4 x 0 no Maracanã."Se houver uma camisa alvi-negra pendurada no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento". O achado do cronista Roberto Drummond resume a mito contra fenômenos naturais, contra todas as possibilidades, contra forças maiores, a torcida atleticana passa por radical metamorfose e se supera. Superou-se tantas vezes que já não duvida de nada, e cada superação reforça ainda mais a mística, como uma bola de neve da paixão futebolística. Nenhum atleticano hesitaria em apostar na capacidade da Massa de transformar o impossível em possível a qualquer momento, de fazer parar aquela tempestade que açoita o pavilhão alvi-negro deixado solitário no varal. Ao contrário das torcidas conhecidas por sua origem étnica (Palmeiras, Cruzeiro, Vasco), por sua origem social (Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo), ou por seu crescimento a partir de uma grande fase do time (Santos), qualquer menção da torcida do Atlético Mineiro evoca, invariavelmente, substância mesma que constitui o torcer. O amor ao time na vitória e na derrota, o apoio incondicional, a garra, a crença de que sempre é possível virar um resultado, o hino entoado unissonamente: a legião fanática que ama o Galo acima de tudo sabe que ser atleticano é unir-se num estado de espírito, compartilhar uma memória, e fazer da esperança uma permanente iminência.A massa atleticana é a prova maior de que, mesmo em época de profissionalização total do futebol, e do negócio futebol, para o povo brasileiro este é acima de tudo paixão por uma cor, um nome, um símbolo, a memória de um instante que pode ser um gol, um campeonato, um abraço ou um beijo. Galo é o nome que mais radical e verdadeiramente expressa, para tantos milhões de brasileiros , o inexplicável dessa paixão.

Idelber Avelar

A Vida de um Atleticano

"A gente não ganha muito ultimamente, mas se diverte pra caramba. O Galo não é um time de vitórias épicas, campeonatos ganhos no último minuto, essas coisas irrelevantes. Para o atleticano, basta um foguete, somente um estouro de um foguete... Aí alguém grita Gaaaaalôôôôô. Pronto... Você ouve, tira o chinelo, desiste das cobertas, esquece os problemas. Coloca a bandeira em cima do carro, põe o hino para tocar, tocar trinta vezes.
Encontra com um amigo, com dois, com cinco, com milhares. Galo! Galo! Galo! Todo mundo sabe que as cordas vocais do atleticano começam na aorta. A gente canta o hino, canta sem parar. Canta o hino no começo, no meio, no fim... ...quando o Taffarel dá uma volta no campo depois de ganhar uma decisão nos pênaltis, quando é eliminado pelo Palmeiras reforçado por um juiz, quando é rebaixado, quando sobe, quando ganha das Marias, quando o Dadá dá a cabeçada desengonçada mais bonita do mundo. A gente canta! Quer sinal maior de alegria? E vai nessa toada até o Willy Gonzer gritar gol. Nessa hora, não tem garganta, copo de cerveja ou prato de tropeiro que fique inteiro.
Atleticano de verdade comemora gol até na reprise. E chega em casa empurrando o carro, feliz, porque a bateria acabou de tanto buzinar. Tá bom. Muitas vezes o enredo é bem outro. O atacante não acerta, o juiz não colabora, o outro time não perdoa. A gente faz pressão, tenta ganhar no grito, fica com torcicolo de virar o rosto a cada gol errado. E a virada não vem. Aí a gente diz e promete: Nunca mais torço pra esse time!
Até estourar o próximo foguete...
a diversão recomeça, ou melhor, nunca acaba... Para ser atleticano não é só querer ser...
O atleticano já nasce ATLETICANO."
Noite em Belo Horizonte. Um velho torcedor conversa com o tempo.
"Uai, cem anos? Mas parece que foi ontem que a gente corria atrás de uma bola de meia na Afonso Pena. Ontem que meus amigos matavam aula pra fundar o nosso 'Atlético Mineiro Futebol Clube'.
Pois o Atlético era mais importante que tudo no mundo. Quem era aquele moleque pegando no gol? Seria João Leite? Ou seria o Kafunga? E aqueles dois brincando de zagueiro? Tão parecidos com o Luisinho e o Osmar. Já falei pra seu Telê que o Odair tem de bater todas as faltas. Principalmente contra o São Paulo .Ainda posso ver o Humberto Ramos cruzando na cabeça de Dario! O Mangabeira desenhando um galo carijó. Toninho Cerezzo driblando o tempo com as meias arriadas. E sendo chamado atenção por Zé do Monte.O Mario de Castro fazendo gol no Vila Nova e dizendo adeus. Já não dava pra cabular aula na vida. Nem mesmo pelo Galo. Mas veio Reinaldo. Quando os cruzeirenses falavam 'Tostão', a gente dizia 'Reinaldo'. E tava tudo empatado. Embora cá pra nós, igual a Reinaldo nem Tostão. A torcida anda impaciente. O time não vence. Eu já falei. Chama o Ubaldo. O santo dos chutes impossíveis. Chama o Ubaldo. Ou qualquer um daqueles meninos que sonhavam com uma bola de meia. Só não deixa o Carlyle sozinho com a bola. Depois ele resolve sentar nela de novo e já viu, né?"

Autor desconhecido
Que o Mundo inteiro saiba, que na data de 27/11/2005 o Clube Atlético Mineiro caiu para a 2ª divisão.
Que o Mundo saiba, que neste mesmo ano, o Galo conheceu os Guerreiros da Categoria de Base, garotos que se transformaram em homens e defenderam a Camisa do Galo com amor.
Que o Mundo saiba que neste dia o time deixou o estádio cercado pela massa cantando o Hino.
Que o Mundo saiba, que em 2006 a Apaixonada Torcida Atleticana vai apoiar o time como jamais fez em seus 97 anos.
Que o Mundo saiba, que o Clube Atlético Mineiro é mais que um time.
Que esta data fique marcada como o dia em que o Mundo entendeu que o Clube Atlético Mineiro tem a Maior e Mais Apaixonada Torcida do Mundo.
2006 - O ano que a Raça estará de volta.
Clube Atlético Mineiro, Uma Vez Até Morrer!!!

Esse texto arrepiaaaa...
Atlético, 100.

O melhor lance do Atlético não foi num jogo. Foi fora dele. Foi numa derrota.
Minto, num empate de um time invicto, o supervice-campeão do BR-77. Não foi o melhor jogo ou jogada. Mas não teve nada mais atleticano que aquilo: depois da derrota nos pênaltis para o São Paulo, Mineirão e Brasileirão estupefatos pela queda sem derrota de um senhor time de bola, os jogadores baqueados e barreados pela chuva e pela lama se abraçaram no gramado e assim foram ao vestiário.
Foi a primeira vez que vi a cena reverente que virou referência. Ninguém estava fazendo marketing (nem existia a tal palavra). Nenhum jogador estava jogando pra galera. Era fato. Time e torcida estavam juntos naquele abraço doído e doido. Como tantas vezes o atleticano esteve junto com o time. Qualquer time.
Nada é mais atleticano que aquilo: um time que se comportou como o torcedor. Solidário na dor, irmão no gol. O atleticano é assim: tem a coragem do galo, mas não a crista. Luta e vibra com raça e amor. Mas não se acha o dono do terreiro. Sabe que precisa brigar contra quase tudo e contra quase todos. Até contra o vento, na célebre imagem de Roberto Drummond. Aquela que fala da camisa preta e branca pendurada num varal durante uma tempestade. Para o escritor atleticano, ou, melhor, para o atleticano escritor, o torcedor do Atlético sopraria e torceria contra o vento durante a tormenta. Não é metáfora. É meta de quem muitas vezes fica de fora da festa. Não porque quer. Mas porque não querem.
Posso falar como jornalista há 17 anos e torcedor não-atleticano há 41: não há grande equipe no país mais prejudicada pela arbitragem. Os exemplos são tantos e estão guardados nos olhos e no fígado. Não por acaso, o atleticano acaba perdendo alguns jogos e títulos ganhos porque acumulou nas veias as picadas do apito armado. Algumas vezes, é fato, faltou time. Ou só sobrou raça. Mas não faltou aquilo que sobra no Mineirão, no Independência, onde o Galo for jogar: torcida. Pode não ser a maior, pode não ser a melhor, pode até se perder e fazer perder por tamanha paixão, cobrando gols do camisa 9 como se todos fossem Reinaldo, pedindo técnica e armação no meio-campo como se todos fossem Cerezo, exigindo segurança e elegância da zaga como se todos fossem Luisinho. Mas não se pode cobrar ninguém por amar incondicionalmente. O atleticano não exige bola de todo o time. Não cobra inspiração de cada jogador. Quer apenas ver um atleticano transpirando em cada camisa, em cada posição, em cada jogada.
Por isso pede para que o time lute. É o mínimo para quem dá o máximo na arquibancada.A maior vitória atleticana é essa. Mais que o primeiro Brasileirão, em 1971, mais que o vice mais campeão da história do Brasil, em 1977. Os tantos títulos e troféus contam. Mas tamanha paixão, essa não se mede. Essa é desmedida.
Essa é a essência atleticana.
Essa é centenária.
Essa é eterna.

Mauro Betting