"Só agora a ficha caiu. Parece um daqueles fatos tão marcantes na vida de uma pessoa que a gente demora um pouco pra absorver. É... nunca vi meu time ganhar um grande título, mas, ainda assim, consigo descobrir sentimentos através desse amor.
VIVEM dizendo por aí que o que vale na vida é viver os sentimentos intensamente. Se é isso que vale mesmo, eu vivi. Coisa que só torcedor de verdade sabe como é. Eu tava lá. E estava com meus amigos. Todos aqueles que a gente dificilmente reúne na correria da vida. Coisa que só o meu time consegue fazer.VIVI o segundo dia mais marcante nos quase 100 anos daquela camisa. Vivi o prazer de ver 14 meninos (sim, os reservas também) jogarem por amor à camisa. Terem orgulho profundo, dedicação, amor e raça. Essa última, palavra que poucos sabem o significado. Quem viveu isso pela última vez?
EU VIVI 40 mil apaixonados cantarem o impossível durante 90 minutos. Quem viveu isso pela última vez? Eu vivi meninos de 18 anos caírem de joelhos ao fim do jogo, assumindo, como homens, uma derrota que definitivamente não era deles.
EU VIVI, ao fim do jogo, 40 mil cantando o hino mais sincero que já ouvi. Um hino meio engasgado, misturado com mais que emoção. Uma emoção que se definia como ‘era isso que eu queria ver’. Eu vivi, ao fim do jogo, a polícia proteger o ônibus com os atletas, dos torcedores. E vi esses torcedores arremessarem o hino e palmas de agradecimento. E vi aqueles meninos, lá de dentro, chorarem ainda mais, meio sem saber direito como reagir àquela cena inesperada.
VI, por fim, um filho abraçar o pai ao final do jogo e, em prantos, dizer: ’Pai, obrigado por eu ser atleticano’. Se o que importa na vida é viver os sentimentos intensamente, eu vivi”
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